em Qualidade da Água, Recursos Hídricos

Fonte da imagem de capa: http://static.panoramio.com/


Nessa semana, moradores da região metropolitana do Rio passaram por uma situação bem complicada. Não bastou ter que enfrentar o calor insuportável, que atingiu o valor de 38ºC com sensação térmica de 42ºC, em alguns bairros, tiveram também que racionar água.

A falta d’água começou na sexta passada e ocasionou além de um grande desconforto para a população fluminense, a suspensão de aulas nas escolas, o encerramento mais cedo de expedientes e, para piorar, o aumento do preço dos carros-pipa. Ainda não teve sua causa esclarecida. Mas a CEDAE culpa a Light pelo ocorrido, pois segundo a concessionária de água, a ocorrência de cortes seguidos de energia na ETA Guandu foi o que prejudicou o fornecimento. Portanto, vamos entender melhor como funciona ETA Guandu e sua importância para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A ETA Guandu é considerada uma das principais obras de engenharia do século 20. É a maior estação de tratamento de água do mundo em produção contínua. Atualmente, produz 43.000 litros de água por segundo, abastecendo cerca de 9 milhões de habitantes em 8 municípios (Nilópolis, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Itaguaí, Queimados e Rio de Janeiro).

A estação leva este nome, pois capta água do rio Guandu, rio que no passado era de pequeno porte, mas depois da instalação do Complexo Hidrelétrico de Lajes tornou-se caudaloso. Mais informações sobre o Sistema Lajes podem ser vistas nos posts “Transferências Hídricas”  e “Paraíba do Sul: um rio estratégico”

A tomada d’água da ETA está localizada junto ao desague dos rios Queimados, Poços e Ipiranga, córregos que drenam uma região altamente urbanizada, com problemas nos serviços de esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos. Por isso, escoam águas com alto teor de poluição, o que deixa vulnerável e encarece o tratamento de água na ETA Guandu.

Fonte da imagem: CEDAE – https://cedae.com.br/portals/0/livreto_guandu.pdf

A CEDAE procura resolver esse problema utilizando no tratamento toneladas de produtos químico e e monitorando, repetidamente, a qualidade de água. São consumidos, diariamente, cerca de 140 toneladas de Sulfato de Alumínio, 20 toneladas de Cloreto férrico, 15 toneladas de Cloro, 25 toneladas de Cal virgem e 10 toneladas de Ácido fluossilícico, para tratar as águas do rio Guandu. Já o monitoramento é realizado continuamente e em tempo real nas 24 horas do dia. São coletadas e analisadas amostras de água e dos produtos químicos nos diversos pontos do sistema, que vai da captação no manancial até a saída para o consumo.

A água entra na estação poluída, barrenta e turva, e sai própria para o consumo humano após passar por várias etapas, como a coagulação química, floculação, decantação, filtração, clarificação, desinfecção com cloro e fluoretação. Para a realização desse processo são necessários 44 conjuntos de moto-bombas, com potência de 700 a 9.000 HP, consumindo 46.000 MWh de energia elétrica, mesma energia que seria utilizada para suprir uma cidade com população de 460.000 habitantes.

Pela grandeza e complexidade dos processos, podemos dizer que a ETA Guandu é um caso de sucesso da engenharia nacional. Porém, por ser gigantesca ela é exclusivamente responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas. Dessa forma, o fornecimento de água para grande parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro fica vulnerável às falhas que ocorram nesta estação. Será que esse sistema de abastecimento é o mais adequado para uma região deste porte e importância?

 

 

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Mostrando 3 comentários
  • Atila
    Responder

    Show de bola, a estação em que trabalho nem chega perto dessa produção.😂

    • Luiza Ribeiro
      Responder

      A ETA Guandu realmente tem uma produção gigante!!! Abraços Atila

  • Ariomar
    Responder

    Really. we are before a problem.

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