In Meio Ambiente, Não categorizado, Políticas públicas, Qualidade da Água

Nessa semana as redes sociais “bombaram” com protestos relacionados à poluição da Praia de São Conrado, o que me motivou a pesquisar sobre o assunto.

O Bairro de São Conrado está localizado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Cercado pelos maciços rochosos da Pedra da Gávea, Rocinha e Vidigal e pela Praia de São Conrado, local das melhores ondas para a prática do surf na cidade. Representa uma grande diversidade social, de um lado prédios luxuosos, onde os apartamentos apresentam um dos maiores IPTUs do Rio, do outro a maior favela do mundo, a Rocinha. Um problema que persiste há décadas nessa região é o da poluição da Praia de São Conrado.

Relatos de moradores e surfistas indicam que o aparecimento de línguas negras e muito lixo na areia da praia e de manchas de esgoto no mar ainda são frequentes, em pleno ano de 2012. Segundo eles, muitas pessoas apresentam doenças de pele, gastrointerite, hepatite, entre outras doenças, vinculadas ao grande aporte de esgoto doméstico na água da praia. Em uma entrevista com surfistas da região, bodyboarders que participaram do último campeonato mundial do esporte, realizado em setembro deste ano em Copacabana, treinaram em São Conrado e passaram mal.

 

Isso pode ser confirmado pelos dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que classificou como imprópria a Praia de São Conrado entre os anos de 2008 a 2011. Este ano a condição continuou a mesma, a praia só foi adequada para banho durante 2 semanas do mês de julho.

 

 

 

Alguns motivos para essa situação alarmante são a drenagem e o manejo de lixo incorreto e até mesmo inexistente na comunidade da Rocinha e Vidigal, os frequentes rompimentos da tubulação de esgoto e o aporte de lixo que vem da Joatinga para o mar e que concentra todos os despejos de poluição das lagoas da Barra.

 

 

Na região existem 2 estruturas que procuram evitar o lançamento de esgoto in natura na praia: a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de São Conrado e o coletor que transporta os esgotos de São Conrado para o emissário de Ipanema. Esta segunda consta de uma tubulação velha que acompanha a Avenida Niemeyer e que sofre frequentes rompimentos, no ultimo mês de setembro ocorreram 2 casos.

E o que falar da ETE de São Conrado?

Esta ETE apresenta um tratamento não convencional, que é o tratamento dentro do próprio curso d’água, podendo ser realizado em um canal, rio ou lagoa. Já é utilizada em vários estados do Brasil, como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Trata-se de uma tecnologia denominada estações de tratamento em fluxo, que objetivam melhorar a qualidade dos recursos hídricos poluídos, e não de tratamento completo de esgoto para lançamento adequado nos corpos receptores. Portanto essa ETE tem o objetivo de despoluição do Canal da Rocinha, originado pela drenagem proveniente da sub-bacia da Rocinha e morro do Vidigal.

Essa estação foi inaugurada em agosto de 2005 e custou cerca de 16 milhões de reais. Tem capacidade de 300 L/s (com possibilidade de ampliação para 900 L/s) .Mas é uma medida parcial e paliativa, pois além de não tratar os esgotos de uma forma completa, pois apresenta apenas um gradeamento e floculação, está associada ao canal de drenagem pluvial. Então, quando chove o fluxo de água e de lixo neste canal aumenta muito, o que sobrecarrega a estação, fazendo com que tudo (esgoto e lixo) corra para a praia sem tratamento. Para completar esta estação há meses não está funcionando por falta de produtos químicos que aceleram a floculação.

O Governo do Estado previu um investimento de cerca de R$ 150 milhões de reais no programa Sena Limpa, que contempla a ampliação de redes de esgoto, novas bombas conectadas ao emissário de Ipanema, melhora na coleta de lixo e no monitoramento da balneabilidade do mar de 6 praias da cidade.

Na etapa referente à Praia de São Conrado estão previstos os seguintes investimentos:

• Modernização da elevatória de esgotos de São Conrado com ampliação da capacidade de recalque de 330 para 735 l/s;

• Requalificação das 2 linhas de recalque da elevatória de São Conrado até a elevatória do Leblon;

• Pressurização da linha de gravidade da Av. Niemeyer;

• Restabelecimento da seção de 1500m de rede de esgotos de diâmetros variando de 400 a 700 mm; e

• Captação dos esgotos que descem pela encosta da Av. Niemeyer.

Esta etapa tem previsão de ser concluída até dezembro de 2013. Então, para voltarmos a ter uma praia limpa e própria para o banho e a prática do surf, precisamos ficar atentos e cobrar dos governantes a realização dos investimentos.

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