In Economia de água, Meio Ambiente, Políticas públicas

O ano de 2015 apresentou uma situação diferente na economia nacional. Ao mesmo tempo que tivemos recessão tivemos uma inflação de mais de 2 dígitos. Normalmente a inflação costuma ser associada a elevação do consumo e ao acesso fácil ao credito, situações que não presenciamos em 2015, quando tivemos uma redução significativa do crédito e do consumo das famílias. O que explica a inflação de 2015 foram 2 fatores importantes: a disparada do preço do dólar, que eleva junto o custo de uma série de produtos que tem seu preço atrelado à moeda norte americana como a gasolina, os remédios e até a farinha de trigo e; a elevação de preços controlados pelo governo, entre eles a energia elétrica.

A principal razão para a elevação dos preços da energia elétrica foi a famigerada “crise hídrica”. As chuvas de 2013 e 2014 foram excessivamente abaixo da média nas regiões sudeste e centro-oeste. Em razão disso, verificaram-se problemas sérios no abastecimento de água em muitas cidades e a normalidade da geração de energia hidroelétrica foi colocada em dúvida já que a matriz elétrica brasileira é quase toda baseada na produção hidroelétrica. De fato, a energia hidráulica responde por cerca de 75% da energia gerada no Brasil (72,1% em Fevereiro de 2015).

Matriz de produção elétrica. Fonte: http://www2.camara.leg.br/documentos-e-pesquisa/fiquePorDentro/temas/crise-hidrica/a-crise-hidrica

Matriz de produção elétrica. Fonte: http://www2.camara.leg.br/documentos-e-pesquisa/fiquePorDentro/temas/crise-hidrica/a-crise-hidrica

 

Como uma parte significativa da eletricidade gerada é proveniente de hidroelétricas do Sudeste e do centro-oeste, as mais afetadas pela “Crise Hídrica”, foi necessário a ativação de uma série de usinas termoelétricas (que produzem energia elétrica à partir da queima de combustível fóssil) extras para complementar a produção de energia elétrica no país. Por demandarem combustível (carvão, óleo combustível, gás natural, etc.), o preço da energia gerada por essas usinas é mais caro.

Em um primeiro momento esse preço não foi passado ao consumidor, mas desde janeiro de 2015, as contas de energia passaram a ser cobradas de acordo com o Sistema de Bandeiras Tarifárias, segundo a Resolução Normativa nº. 547/13 da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Nesse sistema, sempre que as usinas termoelétricas extras são acionadas o preço da tarifa de energia passa a receber uma tarifa extra, que pode ser amarela ou vermelha.

O funcionamento dessas bandeiras ficou assim:

Bandeira Verde: Sem valor adicional cobrado na conta de luz. Aplicada quando as condições de geração de energia estão favoráveis.

Bandeira Amarela: A bandeira Amarela será de R$ 0,015 para cada 1 quilowatt-hora (kWh) consumido. Este valor será aplicado quando as condições de geração de energia estão menos favoráveis.

Bandeira Vermelha:  No acionamento da bandeira vermelha teremos dois valores, divididos conforme abaixo (estes valores serão aplicados quando as condições de geração de energia estão críticos):

  • Patamar 1 (divulgada também como bandeira rosa): A bandeira vermelha patamar 1, será de R$ 0,030 para cada 1 quilowatt-hora (kWh) consumido;
  • Patamar 2: A bandeira vermelha patamar 2, será de R$ 0,045 para cada 1 quilowatt-hora (kWh) consumido. ​​​​​

Depois de um bom período chuvoso no início de 2016 parte das termoelétricas já foram desligadas e depois de um ano na bandeira vermelha estamos fechando o primeiro mês com bandeira amarela e entrando na bandeira verde. Os reservatórios ainda não estão com sua capacidade completamente, mas o bolso do brasileiro agradece.

Com economia de eletricidade e ajuda de São Pedro esperamos não ver tão cedo a bandeira vermelha em nossas contas de luz.

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